Boa noite, irmãos e irmãs! O que compartilharei aqui é bastante por cima por causa de falta de tempo. Mas se alguém acha que seria edificado por saber mais detalhes de qual quer parte da história, é só falar comigo mais tarde.
Alguns de vocês que andam um pouco mais de perto comigo perceberam que houve uma mudança positiva no meu jeito de ser, maneira de me relacionar, e até minha aparência recentemente – uma liberdade e regozijo maior em tudo. Os que prestaram muita atenção provavelmente notaram que de maio a agosto houve uma outra mudança – negativa. Que eu fiquei calada, chata, incerta, estranha, muitas vezes sem reação. O que levou a isso foi uma série de circunstâncias, mas resumindo, foi um tempo em que duvidei profundamente de Deus, da igreja, de tudo que eu aprendi crescendo e no pior momento até de existir alguma bondade no mundo. Como fiquei cega, meus amigos!
Este processo na verdade começou muitos anos atrás, acredite ou não, quando eu estudei teologia na faculdade e descobri que há muitas maneiras “teologicamente corretas” de estudar a Bíblia que não condiziam com o Deus de amor que eu conhecia e que eu sabia que se preocupava comigo. Via um professor falando exatamente o contrário do outro e ficava sem chão para saber em quem acreditar. Aos poucos, fui formando minhas próprias opiniões e ao me formar, achava que tinha superado as minhas dúvidas principais e que não precisava mais me preocupar com eles. Porém, quando voltei a estudar socio-psicologia semestre passado, toda a confusão que ainda estava escondida no meu coração, junto com muitas perguntas e dúvidas novas, vieram a tona. Comecei a duvidar realmente de tudo, perguntando, “Se Deus existe, cadê a evidência dele e porque não consigo vé-la?” “Será que tantas pessoas brilhantes e formadores do nosso século, como Freud, Marx e Nietzche estavam errados? Num tópico tão primordial? Como eu entendo quando pessoas do mundo secular parecem ser mais amorosos e ajudadoras do que muitos crentes? Cadê a transformação de Deus na vida dos crentes e porque ele deixa que a sua igreja esteja num estado tão corrupto?” Não se preocupa, meus irmãos – não estou me referindo à nossa igreja específica, que é muito boa, mas sim a muitas igrejas por aí que parecem só se preocuparem com dinheiro.
No meio destes conflitos intelectuais, entrou também uma parte emocional. Já perguntei muito para Deus porque ele permite a situação da Karis e sem querer comecei a pensar assim, “ah, se Deus existe então na verdade ele é injusto. Seria melhor que ele nem existisse e que eu tivesse liberdade de fazer o que eu quisesse!!” Percebe-se que eu estava completamente rebelde. Esses sentimentos e dúvidas, para mim, por muito tempo, pareciam insuperáveis. Eu fui cada vez mais para um buraco emocional.
Mas Deus é bom de mais, amados! Não é mesmo? Olha só o que Ele fez! Como diz o salmista, “Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num lugar seguro. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus” (Salmo 40:2-3a).
Ele usou este tempo de dúvidas para mecher profundamente com minha estrutura e provar algo que eu duvidava desde criança – que meus pais, meus amigos e o próprio Deus me amam mesmo quando eu não tenho nada para oferecer, mesmo quando eu sou uma influência negativa e até deprimente (e eu realmente era, viu! Eu tentava não falar muito para não piorar a situação). Pessoas como Hildete, Vandeir, Loide, Patrícia, Marcelo, Ester e Célio, Lúcio e Gi continuaram ali, se importando, amando, e sem largar do meu pé em termos de quere que eu ficasse bem. Em parte através destas pessoas e até outros amigos norteamericanos que me ouviram e expressaram amor e carinho pelo skype, por e-mail e chats, Deus mostrou seu amor por mim. Mas Ele também o fez de outras maneiras. Você já teve a sensação de algo muito bom mas muito longe se aproximando e te atraindo? Bem, durante alguns dias em agosto eu tive esta sensação. Algo longe, longe mas persistente que estava se aproximando – a pessoa do próprio Deus. E no meio deste processo eu tive uma revelação intelectual. Descobri que eu poderia fazer uma escolha: ou poderia duvidar de Deus até que Ele se provasse e procurar sempre razões para desacreditar, ou podia crer em Deus até que algo o provasse inexistente e sempre procurar razões para acreditar e confiar. É impossível expressar a diferença que fez esta mudança de perspectiva.
E aquela presença boa e misteriosa continuava se aproximando.
Eu tive umas conversas muito boas com minha mãe e li uma parte do livro dela que não tinha lido ainda. Resultado? Novas razões para crer. Tive ótimas conversas com Ana Lúcia Soldi e sua solidez carinhosa me encorajou, motivou e inspirou. Comecei a perceber cada vez mais a bondade ao meu redor.
E aquela presença continuou se aproximando.
Voltei a orar e de repente aquela presença estava lá, tão junto, tão perto, que não sabia que tal intimidade era possível! Eu tinha duvidado, falhado, odiado, admitido a depressão, a desesperança e falta de amor, mas quando me abri novamente para Deus, sem mais nem menos, Ele estava lá. Ele não esperou grandes mudanças da minha parte. Ele chegou antes e fez as mudanças acontecerem. O Deus que servimos é muito bom!!
Li um livro sobre uma koreana que sofreu profundamente pela sua fé – aprisionamento, frio, fome, dores insuportáveis - e mesmo assim considerou como privilégio honrar a Deus com sua vida. Meus irmãos, eu quero ser assim. Apesar das circunstâncias atuais ou quais quer que eu possa vivenciar no futuro, eu quero regozijar. Eu quero achar o bom em todo o sofrimento. Eu quero viver plenamente. E eu convido você a essa alegria, esse regozijo que diz que até as circunstâncias mais difícies e impossíveis se tornam em benção para aquele que seguem e buscam ao Senhor. Não que as circunstâncias em si necessariamente mudam, mas que no meio delas podemos andar com esperança, fé e alegria, sabendo que Jesus passou por este caminho antes de nós, que segurará em nossa mão e nos guiará em segurança para o porvir. Algum dia cada sofrimento vivido com alegria se transformará em benção no céu. Esta é a promessa do nosso Deus para aqueles que Lhe desejam. Esta é a nossa esperança. Amo e desejo o melhor para cada um de vocês e que nunca tenham que passar por dificuldades iguais as minhas, mas se passarem, que possam encontrar também Deus no final do caminho.
Gostaria que vocês ouvissem uma música que resume um pouco da minha história e da minha oração. É em inglês, mas a tradução aparecerá no powerpoint.
Como diz Paulo em 2 Coríntios 1, que “o Pai da misericórdia e Deus de toda consolação lhes consola em toda tribulação” (2 Cor. 1:3-4, paráfrase).
Não sei como colocar músicas aqui no blog. Se alguém sabe me avisa. Mas aqui está pelo menos a letra e a tradução da música que toquei no final:
| Não me permita perder a maravilha Keith e Kristyn Getty Eu vi dias derreterem em noites em meio a círculos de luzes; Assisti uma aranhã construindo uma estrela no meio das flores da janela Te vi sorrir e chorar num mesmo respirar e uma história se formar na sua alma Não me permita perder a maravilha Não me permita perder a maravailha Eu a vi quebrada, sonhos adentro, mas ajudando outros a voarem Eu vi seus olhos, sem duvidar, quando outras luzes se apagavam E apesar de seu chamado ecoar, tal graça fluía Da visão de sua alma Não me permita perder a maravilha Não me permita perder a maravailha Um bebê chorou na escuridão debaixo da faísca dourada, Conheci sua voz no monte mas ainda ouvi meu coração perdido Encontrei meu lar no brilho onde os erros são acertados E você ressurgiu como a estrela da manhã Não me permita perder a maravilha Não me permita perder a maravailha | Don’t let me lose my I've seen days melt into nights, in circles of lights, and a story form within. Don't let me lose my wonder. I saw her broken, dreams inside, but helping others fly, Don't let me lose my wonder. A baby cried through the dark beneath a jeweled spark, Don't let me lose my wonder |
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